Varizes e Microvasos

Varizes e Microvasos

Aproximadamente 30 a 40 milhões de pessoas no Brasil sofrem com as varizes. As varizes são veias dilatadas e tortuosas e, depois que surgem, passam a não transportar adequadamente o sangue que retorna ao coração. Felizmente, por um lado, comprometem significantemente o sistema superficial (abaixo da pele), preservando o sistema profundo (próximo do osso), que é responsável pelo retorno de 85% do sangue que vem dos membros inferiores para o coração.

Afeta quase metade das mulheres e um terço dos homens. É um problema de saúde comum em qualquer população. Elas podem ser divididas de formas práticas em varizes de grande calibre e em microvarizes, conhecidas como teleangiectasias, embora ambas as formas de apresentação da doença andem juntas na maioria dos pacientes.

As micro varizes ou microvasos são motivo de grande procura nos consultórios de angiologia nos meses quentes do ano pelo fato de serem antiestéticas. Em médio e longo prazo as varizes podem causar complicações como flebite superficial (inflamações da veia com formação de coágulos), rompimento com hemorragia, manchas escuras, deformidades, cicatrizes e, em casos mais graves, feridas de difícil cicatrização. Além da questão orgânica, existe o prejuízo que os microvasos (vasinhos) trazem do ponto de vista estético.

Causas
Dos vários fatores que contribuem para o surgimento das varizes, o principal deles é o fator hereditário (origem familiar). Em torno de 80% das pessoas portadoras de varizes são mulheres, em que o fator hormonal leva a uma fragilidade da parede das veias.

Os principais fatores desencadeantes são a gravidez, anticoncepcional, salto alto, excesso de peso, esportes de forte impacto (aeróbica, tênis, etc..) e tabagismo.
– Sol e Calor – Exposição ao sol e calor está associada às teleangiectasias, por dois fatores, primeiro os raios ultravioletas, que envelhecem a pele e destroem a fina parede das veias e artérias, deixando-as mais fracas e sujeitas a “esgarçamento” por perda da elasticidade; esse fator é muito importante principalmente nos vasinhos da face. Também a simples dilatação dos vasos causada pelo calor, pois além do sol – incluindo o fogo ou aquecedores elétricos –, com o tempo torna os vasos mais dilatados de forma permanente;

– Hormônios – As mudanças hormonais pelas quais o organismo passa durante a gravidez aumentam a chance de teleangiectasias (microvarizes). Em muitas mulheres elas aparecem durante a gravidez e mais tarde o problema regride, em outras permanecem. Junto aos hormônios existe o problema do aumento do útero dificultar a subida do sangue, causando congestão nas veias das pernas e aparecimento de varizes grandes, que mais tarde podem piorar o problema das micro varizes. Estudos recentes indicam que terapias de reposição hormonal com estrogênio e o uso de pílula anticoncepcional também têm relação com o aumento das micro varizes.

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– Pomadas com corticoide para uso tópico (betametasona, dexametazona e outros) – Bastante utilizadas no nosso meio também estão associadas ao desenvolvimento de micro varizes, sendo o seu uso reservado somente ao tempo necessário, conforme orientação médica, evitando emprego prolongado. Isso se deve ao fato dos corticoides também serem hormônios.

– Ferimentos e batidas – Traumas e batidas na pele, em muitos casos, podem deixar uma mancha escura depois de passada a fase aguda dar lugar à formação de microvasos; a fragilidade da pele e o trauma liberam substâncias da inflamação que fazem com que os microvasos se desenvolvam, o mesmo vale para machucados, cortes e situações onde a pele fica sob tensão.

Tratamentos
Pelo fato do Brasil ser um país tropical, onde predomina o sol e as mulheres constantemente exibem suas pernas, há uma cobrança dos angiologistas e cirurgiões vasculares brasileiros para os melhores resultados possíveis no pós-operatório de varizes e escleroterápico (tratamento dos microvasos, a popular “secagem de vasinhos”), sem marcas.

O importante é não se deixar levar por tratamentos “miraculosos” feitos por profissionais inescrupulosos. Tratamento dos vasinhos com espuminha, idealizado em 1944, foi abandonado ao longo dos tempos por sua ineficiência e complicações graves, ressurgindo agora como “técnica moderna”. Substituição da cirurgia de varizes por radiofrequência (destruição do vaso pelo aquecimento de um micro cabeçote introduzido no interior da veia de grande calibre do membro inferior (a safena magna), sem comprovação científica e com sequelas. O tratamento convencional atualizado, cirúrgico e esclerodermia, ainda é o que leva ao melhor resultado.

O emprego do laser no tratamento das teleangectasias (minúsculos vasos) e pequenas varizes, por hora não convenceu a grande maioria dos angiologistas e cirurgiões vasculares, pelas sequelas que podem deixar (minúsculas manchas brancas ou escuras) e pelo alto custo do aparelho (300 mil dólares), obrigando os profissionais a cobrarem valores altos por sessão de aplicação.

Estão sendo realizados estudos para superar essas complicações. Quando isto se confirmar, com certeza passará a ser utilizado pelos especialistas.

Deve-se tomar cuidado com propagandas de alguns chás, produtos farmacêuticos produzidos por laboratórios sem licença, cremes milagrosos prometendo evitar ou promover o desaparecimento dos vasinhos e varizes. Podem até favorecer a circulação, mas não curam os estragos já instalados.

A Carboxiterapia trabalha no sentido de restaurar a parede endotelial, fazendo com que o sangue volte a circular naquele capilar sanguíneo, restaurando a circulação e sumindo com o microvaso. No entanto, não funciona com vasos de maior calibre e em microvasos mais antigos e escuros. Trata-se de um coadjuvante no tratamento deste tipo de disfunção circulatória.

E, como já citado no tópico sobre tratamento de psoríase, o gás carbônico, ao ser injetado na pele, estimula um processo de oxigenação tecidual imediata e tardia, com formação de novos vasos sanguíneos e linfáticos. Por isso é amplamente utilizado no tratamento de doenças vasculares, úlceras venosas e diabéticas, auxiliando na cicatrização de feridas.

Sem mais, o ideal mesmo, como em todos os casos é a prevenção. Conheça agora 10 dicas para prevenir as varizes:

• Manter o peso adequado;
• Controlar o uso de hormônios, principalmente os anticoncepcionais;
• Orientações específicas e rigorosas durante a gravidez;
• Evitar ficar em pé ou sentada por muito tempo;
• Manter os pés da cama elevados de 5 a 10 cm;
• Evitar roupas apertadas e elásticos;
• Exercícios físicos programados sobre orientação;
• Evitar salto alto, o indicado é o médio;
• Avaliações periódicas (anuais) com especialista (check-up).

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